Nunca mais (ou)vi Wisnik, não que eu não quisesse, aconteceu assim. Um dia, numa das minhas releituras de Verdade Tropical percebi que aquele que escrevera o prefácio do livro era o mesmo que cantaria aquela canção bonita com nome de exame de paternidade. E ele estava ali, nas primeiras páginas do meu livro amado, estranhamente ali, desde 1997, desde quando eu o li. Não poderia ser a mesma pessoa. Desconfiei e ficou por isso mesmo.
Chegou em minha casa um dia, um disco de criança com um nome ótimo: Canções Curiosas, da série Palavra Cantada, que eu também não conhecia. Desde Os saltimbancos e da Arca de Vinícius que eu não ouvia algo tão bom para as crianças. Tem Arnaldo Antunes, tem Carlinhos Brown, tem Paulo e Luiz Tatit, e depois de tudo isso, na última canção de um disco histórico para o cancioneiro infantil brasileiro, surge a voz de José Miguel Wisnik que, acompanhado por Luiz Tatit, canta a incrível "Gramática", uma aula poética de português.
Gramática entraria para o nosso repertório. O mesmo amigo que ouvira comigo DNA, também ouviria comigo muitas vezes o disco das canções curiosas. Tiramos várias músicas dos discos. Nas nossas rodas eu tocava "Erê" de Carlinhos Brown, ele "Gramática" parceria de Sandra Peres e Luiz Tatit.. Tinha alguma coisa ali. Aqueles dois que cantavam, mais pareciam professores de português.
Um dia apareceu um livro verde na casa de uma amiga, com um título sugestivo: O som e o sentido. Lembro-me bem da minha vontade de ter um livro assim. Lembro-me da vontade que tinha de saber as coisas todas que o livro trazia em si. Eu, rapaz do som, procurando um instrumental para dar algum sentido pra tudo aquilo que vinha escutando. Não acreditei quando saquei o autor...
Agora era sério: eu precisava procurar Wisnik.
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
domingo, 25 de agosto de 2013
Procurando Wisnik I
A primeira vez que eu o vi, foi no festival da canção da globo no ano 2000. Como um senhor simpático e sereno acompanhado pela filha, Wisnik me apresentou a uma música que me encantou progressivamente. Entendi como um chamado para que eu entrasse no seu mundo.
Foi a minha favorita no festival. A minha e de um grande amigo que dividia essas coisas comigo. Torcemos por ela, principalmente pelo fato de que a sua classificação para as finais significaria para nós uma coisa: a certeza de que ouviríamos mais uma vez aquela canção que a gente tanto gostara mais que era impossível de se lembrar. Naquele tempo não existia Youtube, e as rádios não estavam nem aí para esse festival. A canção era única. Nós não sabíamos de onde ela vinha e não sabíamos para onde ela iria. Era muita lírica. Uma coisa linda. Até o título, que eu julgava ruim para o festival, e fadado a ser datado, se resolve bem na canção que narra o reconhecimento de uma filha por um pai, depois de anos e anos sem saber da sua existência.
Uma trama da contemporaneidade que vai do desconhecimento do pai e da filha, o exame de DNA, e a revelação do nome da filha (Daniela), na repetição da sigla que dá nome à canção. Acho que a canção foi classificada. Lembro de tê-la ouvido feliz, mais uma vez. Só consegui reouvi-lá depois de uns 10 anos. No disco Pérolas aos poucos, o meu primeiro disco do Wisnik, onde confirmei que ao lado daquela estranha canção que aparecera no festival de 2000 haviam outras tantas canções admiráveis, e que havia ali um grande compositor.
Nunca mais consegui ouvir a versão do Festival.
Mas vou reouvi-la agora graças ao Youtube. Bora?
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Rádio Batuta
De tempo em tempo faço as minhas descobertas. É aqui que venho quando sinto a necessidade de compartilhá-las. Encontrei na rede um ciclo de palestras maravilhoso sobre a canção brasileira. José Miguel Wisnik acompanhado por Arthur Nestrovski e seu violão apresentam em aulas-show um panorama dos principais movimentos da música popular brasileira. As palestras completas estão disponíveis em streaming no site do Instituto Moreira Salles.
Kadu, você que foi surpreendido pelo fim abrupto das palestras que indicara em um post antigo, agora poderá se deleitar com várias palestras no formato de programas de rádio.
Vou destacar o programa dedicado à Tropicália que é simplesmente genial.
Na bandeja: http://ims.uol.com.br/Radio/D628
Aliás, vale a pena gastar uma onda no arquivo da rádio batuta do excelente site do Instituto Moreira Salles.
P.s: Sinto uma inveja gostosa de quem ainda não ouviu
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Maysa e Caymmi por Wisnik
Em homenagem ao amigo Kadu e a conversa que tivemos ontem sobre Caymmi, postarei mais uma palestra do professor José Miguel Wisnik em que ele analisa a canção, sucesso de Maysa, Meu mundo caiu e discorre sobre a canção que compôs em resposta a ela. Na mesma palestra, o autor nos brinda com uma leitura primorosa de Coqueiro de Itapoã do mestre Dorival Caymmi.
Reserve uma hora especial para esta palestra de encher os olhos e assista.
Abraço grande a todos!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
José Miguel Wisnik
Wisnik encarna o desejo de muitos de conciliar música e história, literatura e filosofia, unindo o seu ofício de professor, ao de ensaísta, compositor, pianista e cantor. Desde "Verdade Tropical" em que escreve o prefácio, passei quase por acaso, a perceber os caminhos de sua trajetória: a apresentação no festival da canção da Globo em que apresentou a linda canção chamada DNA, depois o encontrei no disco Pérolas aos Poucos, quando confirmei a minha hipótese de que aquele cantor que despretensiosamente apresentava sua canção no festival da Globo era um compositor único. Voltei a encontrá-lo no incrível livro, indispensável a quem se interesse por música, O som e o sentido. E a partir de então passei a acompanhá-lo em palestras, em ensaios, livros e canções. Que figura! Um talento brasileiro de emocionar...
Para o nosso deleite postarei um link com a sua palestra sobre O som e o sentido:
Até mais!
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